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O Advogado é Indispensável à Justiça | Advogado em Birigui-SP

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, o advogado é indispensável à administração da Justiça, atuando com ética, técnica e coragem na defesa de direitos.

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JOTA Jornalismo – FeedInadimplência recorde expõe a má qualidade do crédito no Brasil​Estúdio JOTA

E se o caminho para reduzir o superendividamento não passasse por renegociar dívidas, mas por mudar a qualidade do crédito ofertado desde o início? É essa a pergunta que um novo índice da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e os dados mais recentes do Serasa colocam no centro do debate, no mesmo momento em que o governo federal lança o programa para renegociação de dívidas Desenrola 2.0 e fintechs de crédito ético ganham escala no país.

É para preencher as lacunas na qualidade que modelos de crédito como os ofertados pela PayJoy têm ganhado protagonismo. Presente em mercados emergentes da América Latina, África e Ásia, a fintech financia smartphones sem exigir conta bancária ou comprovação de renda formal. Apenas no Brasil, a empresa identificou 155 milhões de clientes potenciais, o que impulsionou o crescimento de 400% em 2024.

A urgência por opções como as oferecidas pela PayJoy se sustenta pelo Índice de Desconforto de Crédito (IDC), elaborado pelos professores Lauro Gonzalez e Rafael Schiozer e pelo pesquisador Matheus Carrijo, do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (FGVcemif). O indicador mede o estresse financeiro das famílias a partir de três dimensões combinadas: o comprometimento da renda com dívidas; a inadimplência; e a qualidade do crédito contratado – medida pela participação de modalidades mais onerosas, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal não consignado. Em janeiro de 2026, o índice atingiu 0,94, o maior nível da série histórica, equivalente a 94% do pior momento já registrado. 

O índice revela um paradoxo: o desemprego está em mínimas históricas, o crédito nunca foi tão acessível, mas a sensação e os dados apontam que o aperto financeiro é generalizado. O problema, segundo os pesquisadores, não está no volume de crédito disponível, mas na qualidade das modalidades que as famílias têm acessado.

Essa dinâmica afeta as pessoas mais vulneráveis no Brasil, onde boa parte de 100 milhões de brasileiros tem renda mensal domiciliar inferior a R$ 2.400, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa população depende justamente das modalidades de crédito mais onerosas, como o cartão rotativo e o crédito pessoal não consignado, por ausência de alternativas adequadas ao seu perfil. 

O recorde que o emprego sozinho não explica

Os dados da Serasa confirmam a escala do problema. Em abril de 2026, 83,4 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, o equivalente a 50,8% da população adulta. O total de dívidas registradas chegou a R$ 568 bilhões, distribuído em 342,9 milhões de débitos, com valor médio de R$ 6.814 por pessoa. Para Fernando Gambaro, especialista da Serasa em Educação Financeira, esse recorde histórico está associado ao aumento da oferta e à mudança no perfil dos consumidores. “Acompanhamos esse crescimento desde o pós-pandemia, principalmente por causa do reflexo da digitalização e bancarização de muitas pessoas que acabaram tendo acesso ao crédito sem educação financeira”, afirma. Em março e abril, o indicador ultrapassou pela primeira vez a marca de 50% da população adulta.

O problema tem dimensão nacional, mas se concentra em determinadas regiões: no Amapá, 65,6% da população adulta está inadimplente; no Distrito Federal, 63%; e no Amazonas, 60,5%. Gambaro lembra que a dívida é democrática. “Ela não está presente só em uma parcela da população. Pessoas de diferentes faixas de renda podem se endividar”, diz. No caso do Distrito Federal, o especialista observa que o valor médio das dívidas tende a ser mais elevado do que a média nacional, possivelmente atrelado ao maior consumo de serviços como planos de saúde e educação privada.

Dívida por vulnerabilidade, não por descontrole

Um levantamento da Serasa com 1.904 pessoas realizado em abril aponta as causas do endividamento: 38% das dívidas com o setor financeiro têm origem em desemprego ou perda de renda, e 16% em gastos emergenciais. Mais da metade do endividamento, portanto, não nasce de descontrole financeiro, mas de vulnerabilidade. Gambaro reforça que essa distribuição de causas é estável na série histórica e explica por que a inadimplência não responde de forma imediata à melhora do emprego. “O que costumamos dizer é que a inadimplência sobe de elevador e desce de escada.”

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A composição do crédito acessado por esse público agrava o quadro. O cartão de crédito aparece historicamente como a principal dívida do brasileiro, respondendo por 27,5% das dívidas negativadas em abril. Gambaro explica o mecanismo: quando pessoas das classes C, D e E ingressaram no sistema financeiro durante a pandemia, o cartão foi o primeiro produto concedido pelas instituições, por permitir começar com limite baixo e construir histórico. O problema é que esse acesso se deu em um período de juros elevados. “O acesso mais fácil ao crédito e o encarecimento das modalidades acaba levando as pessoas à inadimplência”, diz.

Esse diagnóstico desloca o debate do comportamento individual para a qualidade do crédito ofertado. Para consumidores com renda instável, pouca ou nenhuma reserva financeira e acesso limitado ao sistema financeiro tradicional, o risco não está apenas em contrair uma dívida, mas em depender de modalidades caras, pouco previsíveis e sujeitas a encargos que ampliam rapidamente o saldo devedor em caso de atraso sem prever a modalidade de renda flutuante e intermitente da população com trabalho informal.

É nesse ponto que o crédito ético e responsável ganha relevância. Modelos como os da PayJoy, desenhados para populações historicamente excluídas podem ampliar o acesso ao financiamento sem necessariamente aprofundar o sobre-endividamento, desde que sejam estruturados com transparência de custos, previsibilidade de pagamento, ausência de taxas punitivas e mecanismos efetivos de proteção ao consumidor. Em alguns casos, a eliminação de juros compostos e de taxas de atraso permite que o custo total do financiamento seja conhecido desde o início, o que reduz a incerteza para famílias que já convivem com choques frequentes de renda.

A discussão também passa pelo acesso à economia digital, no qual os smartphones servem como uma alavanca de crescimento para pequenos negócios. No entanto, a exclusão financeira impede milhões de brasileiros de adquirir esse instrumento por vias tradicionais. No caso da PayJoy, 37% dos usuários entram no sistema sem histórico de crédito ou com histórico negativo, 50% são trabalhadores informais sem renda fixa e 87% não teriam acesso a financiamento via cartão de crédito para comprar um smartphone.

O diferencial desse tipo de modelo está em oferecer crédito a pessoas que tradicionalmente ficam fora do financiamento formal. Ao utilizar modelos alternativos de avaliação de risco e garantias, o acesso ao crédito deixa de depender exclusivamente de histórico financeiro prévio, conta bancária ou comprovação de renda formal. Nesse enquadramento, o crédito ético, com transparência, previsibilidade e sem práticas punitivas, pode funcionar não apenas como produto financeiro, mas como mecanismo de inclusão econômica e digital.

Crédito ético como saída estrutural

O desempenho do modelo de crédito ético também chama atenção. Pesquisa do bureau de crédito mexicano Círculo de Crédito mostrou que clientes da PayJoy têm cerca de três vezes menos probabilidade de atrasar pagamentos em 30 dias do que com outros credores. O resultado reflete uma premissa diferente na estrutura do produto: a inadimplência pontual decorre, na maioria dos casos, de choques temporários de renda, e não de incapacidade permanente de pagamento. 

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Estruturar o crédito a partir dessa lógica, sem a aplicação de multas por atraso ou juros adicionais, muda o incentivo e, segundo a empresa, contribui para romper o ciclo que os dados da FGV e da Serasa revelam o impacto na economia em escala nacional.

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