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O Advogado é Indispensável à Justiça | Advogado em Birigui-SP

O advogado é a ponte entre o cidadão e a Justiça. Previsto no artigo 133 da Constituição Federal
, o advogado é indispensável à administração da Justiça, atuando com ética, técnica e coragem na defesa de direitos.

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JOTA Jornalismo – FeedO equívoco de a política energética ser comandada pela oferta​Allan Kardec Duailibe Barros Filho

Nas últimas décadas, consolidou-se a ideia de que o mundo vive uma “transição energética”. A expressão sugere substituição estrutural: uma fonte dominante seria abandonada e trocada por outra. A história recente mostra algo diferente.

O que ocorreu foi expansão cumulativa e diversificação. A demanda global por energia cresceu de forma persistente, impulsionada por urbanização, industrialização, aumento da renda e, mais recentemente, digitalização intensiva da economia. Diante disso, a oferta — fóssil e não fóssil — simplesmente se expandiu para atender a essa pressão estrutural.

Figura 1: Evolução do consumo global de energia por fonte desde meados do século 20

Observa-se o consumo dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) se afastando, a cada ano, do das demais fontes

De fato, houve diversificação energética. Desde antes dos anos 1950, todas as fontes relevantes cresceram em termos absolutos. O carvão não desapareceu com o petróleo. O petróleo não foi suprimido pelo gás. O avanço das renováveis tampouco eliminou os fósseis. E o sistema energético global se ampliou como um todo.

Esse padrão revela um erro recorrente na formulação de políticas públicas: concentrar o debate na oferta e ignorar a variável central que move o sistema — a demanda. Enquanto se discute quais fontes restringir ou incentivar, a demanda continua avançando, impulsionada por infraestrutura, transporte, saneamento, refrigeração, saúde, educação e inteligência artificial. Se a demanda cresce, a oferta se reorganiza. Não há atalhos para essa realidade física.

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Para compreender essa dinâmica, é útil recorrer à Curva de Kuznets. Nos anos 1950, Simon Kuznets mostrou que o crescimento não produz efeitos lineares. Nos estágios iniciais, a desigualdade aumenta; apenas depois de amadurecimento institucional começa a diminuir. O crescimento primeiro cria tensão, depois gera mecanismos de correção.

Essa lógica aparece também na chamada “Curva de Kuznets do Coração”, em trabalho que publicamos[1].

Figura 2: Relação entre PIB per capita e pressão sanguínea sistólica média (1980–2008) para países selecionados

Economias emergentes apresentam dinâmica distinta das economias de alta renda

Em países de baixa renda, o aumento do PIB esteve associado à elevação da pressão arterial média. Mudanças rápidas no padrão de consumo ocorreram antes da consolidação de sistemas de saúde e prevenção. Já em economias de alta renda, a relação se inverteu: crescimento passou a vir acompanhado de melhor governança, educação e infraestrutura, reduzindo riscos.

O ponto central é estrutural: desenvolvimento reorganiza o metabolismo social antes de produzir equilíbrio.

O mesmo pode ocorrer com a energia. Afinal, há forte correlação entre PIB e consumo energético. Nos estágios iniciais, países constroem estradas, portos, redes elétricas e indústrias pesadas. O crescimento exige insumos físicos. Essa é a fase ascendente da curva energética.

A variável capaz de reorganizar essa trajetória é a intensidade energética — a quantidade de energia necessária para gerar uma unidade de PIB. Economias com alta intensidade consomem muito para produzir riqueza; economias mais eficientes geram mais valor com menos energia relativa. Países maduros reduziram essa intensidade nas últimas décadas; economias em industrialização ainda operam com níveis mais elevados.

Mesmo quando a intensidade cai, o consumo absoluto pode continuar subindo se o PIB crescer mais rápido. É o que ocorre globalmente. Por isso, a ideia simplificada de “transição” não descreve adequadamente a realidade. O mundo não substituiu fontes; acumulou-as para sustentar uma demanda crescente.

Se as políticas públicas continuarem focadas predominantemente na oferta, o resultado será tensão entre crescimento e restrição. Países na fase ascendente não podem reduzir consumo absoluto sem comprometer desenvolvimento. O caminho não é negar crescimento, mas antecipar eficiência.

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Modernização tecnológica, redução de perdas, planejamento urbano racional e investimento em ciência permitem reduzir intensidade energética. Energia firme e previsível é elemento estratégico nesse processo.

O desafio do século 21 não é interromper o desenvolvimento, mas organizá-lo. Não se constrói prosperidade restringindo energia, mas tornando-a mais produtiva. Países que entendem isso ampliam sua autonomia; os que ignoram permanecem vulneráveis. Energia não é apenas insumo — é poder estrutural. Estratégia energética não é retórica ou slogan. É fundamento de soberania.


[1] https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X20300796?via%3Dihub.

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