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O Advogado é Indispensável à Justiça | Advogado em Birigui-SP

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, o advogado é indispensável à administração da Justiça, atuando com ética, técnica e coragem na defesa de direitos.

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JOTA Jornalismo – FeedEndosso a conceito de narcoterrorismo dos EUA revela domínio dos Bolsonaro sobre direita​Vinicius Rodrigues Vieira

Dizem que o patriotismo é o último refúgio de um canalha. Em uma era de intensas ameaças à soberania, pode-se inverter a equação e concluir que canalha é aquele que não é patriota. Esse é o dilema que se apresenta a todos os que pretendem desempenhar um papel de liderança nacional, independentemente do espectro político.

Ainda assim, causa estranheza que as forças da direita tenham, em sua maioria, cerrado fileiras com a determinação do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como grupos terroristas, em vigor a partir da próxima sexta-feira (5/6). Falta coragem aos que se pretendem encarnar uma terceira via para se distanciarem do bolsonarismo, responsável por mais esse golpe americano contra a soberania nacional.

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A decisão foi anunciada dois dias depois da visita do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, quando ao lado do irmão Eduardo (foragido nos EUA) e Paulo Figueiredo (que promove atividades golpistas contra o Brasil a partir do território americano), tirou foto com o presidente americano, Donald Trump. No dia seguinte, a trupe reuniu-se com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J. D. Vance.

Para além dos notórios problemas que essa decisão implica em termos de compartilhamento de informações entre autoridades americanas e brasileiras, como já explicado pelo Ministério Público, ela suscita preocupações mais amplas. Cria-se toda uma área de desconfiança nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, que aparentemente iam bem desde que os presidentes Lula e Trump se aproximaram pessoalmente na questão econômica, movimentação precedida por gestões feitas por empresários com negócios nos EUA.

Na reunião entre os chefes de Estado na Casa Branca no último mês, houve avanços como a criação de um grupo de trabalho para discutir supostas práticas ilegais feitas pelo Brasil contra a economia americana, o que pode redundar em tarifas contra o mercado nacional a serem anunciadas ainda nesta semana.

Porém, em assuntos de segurança, Lula e o Itamaraty foram negligentes e permitiram que o bolsonarismo e seus aliados no trumpismo, notadamente aqueles com ligação com o nacionalismo branco, ditassem a agenda contra o Brasil.

Nesse contexto, Lula deveria ter levado o tema das facções à reunião realizada em Washington antes do beija-mão protagonizado pelo bolsonarismo. Ao deixar essa questão em aberto, o presidente abriu espaço para que os Bolsonaros e seus canais no trumpismo conduzissem mais esse atentado à soberania brasileira — cujos efeitos, ironicamente, podem atingir até setores do sistema financeiro que preferem ver Lula fora do Planalto, mas flertam com uma família cujo esporte preferido é jogar contra o Brasil.

Lula, aliás, pode ter agido de modo eleitoreiro, deixando a bomba do narcoterrorismo explodir de propósito, pois, com a designação americana endossada pelo bolsonarismo e seus satélites de direita, fica ainda mais fácil vender o discurso — verdadeiro, é necessário dizer — de que a centro-esquerda é a única força política capaz de combinar a defesa da soberania e democracia (sobdem).

Esse cenário, porém, traz problemas severos para o país ao estimular o governo a se acomodar em questões cruciais, pois sabe que sempre pode jogar a carta sobdem para ganhar votos no centro político cada vez mais minguado.

A conjuntura só mudaria se uma direita democrática e defensora da soberania surgisse no lugar dos pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que hoje se comportam como linha auxiliar do bolsonarismo ao endossar a medida do governo Trump: mirando as facções, abre-se a porta para todo o tipo de intervenção no Brasil.

O eleitor de direita mais moderado parece estar disposto a abandonar o bolsonarismo, se considerados os resultados da última pesquisa Real Time Big Data. Nela, Flávio perderia para Lula, enquanto Zema e Caiado apareceriam em situação de empate técnico em um eventual segundo turno. Falta apenas combinar isso com os bolsonaristas, que compram o discurso de que ser patriota consiste em estabelecer uma aliança simétrica com os EUA, como se fôssemos parte da mesma civilização.

Sofrem, coitados, do complexo de Bacurau — referência ao filme de Kleber Mendonça Filho, no qual brasileiros de pele mais clara, após afirmarem que são brancos, são ironizados por europeus que participam de uma espécie de safári humano, elemento central da narrativa.

Mais do que um “bacurau-sonarismo”, porém, o que se vê é a tentativa de transformar o Brasil em um “faroeste caboclo”, uma terra sem lei moldada para favorecer amigos milicianos, sejam operadores de “gatonet”, sejam agentes com conexões com o crime organizado na Faria Lima.

Se esse ato de subserviência a Trump ainda não basta para que Bolsonaro seja abandonado por parte da direita, não está claro o que mais precisaria acontecer para que esse eleitorado declarasse independência e optasse por uma alternativa compatível com sua visão de mundo, mas que preserve aquilo que é essencial, independentemente do regime político: a soberania nacional.

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Nesse sentido, cabe uma última reflexão à luz da atual conjuntura: se a direita de fato conquistar o governo da Colômbia no segundo turno de 21 de junho, em que Abelardo de la Espriella, da extrema direita, enfrenta Iván Cepeda, da centro-esquerda, Lula poderá ficar isolado na região em um eventual quarto mandato, tornando-se alvo mais fácil do trumpismo num cenário em que o Senado seria dominado por bolsonaristas.

Por ora, porém, nem Zema nem Caiado parecem dispostos a exercer o papel que se espera de alguém comprometido com o verdadeiro patriotismo: definir e defender os interesses da nação, parte essencial do juramento constitucional — princípio que, caso Flávio Bolsonaro vença as eleições, já terá sido violado antes mesmo da posse.

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